O 4G já pode ter ultrapassado o 3G em número de usuários, tornando-se assim a principal tecnologia de comunicação móvel no mercado doméstico pouco mais de quatro anos após a chegada ao Brasil. Em 2017 a cobertura do serviço foi o carro-chefe dos investimentos para operadoras de telecomunicações nacionais.

A ultrapassagem deve ser confirmada assim que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgar o balanço da telefonia móvel no mês de outubro; em setembro a diferença entre o 3G e o 4G era de apenas 4 milhões (95,4 milhões contra 91,4 milhões), em redução de 6 milhões frente agosto. Já em janeiro a diferença entre as duas tecnologias era de 50 milhões.

“Se ela não passou o 3G em outubro, com certeza isso ocorreu em novembro. Vamos entrar 2018 com o 4G como a principal tecnologia”, afirmou o presidente da consultoria especializada Teleco, Eduardo Tude. Considerando o cronograma de chegada e consolidação do 5G, Tude estima que o 4G siga como tecnologia mais popular do País por ao menos sete anos. “A população aderiu à mobilidade. O sucesso do 4G foi consequência”, prosseguiu o sócio sênior da consultoria 4Grid, Wagner Heibel, destacando a popularidade de apps – sobretudo os de consumo de vídeo – como principal elemento para a explosão da demanda, aliado à queda no preço dos aparelhos incentivada, entre outros fatores, por políticas de desoneração do governo.

Os especialistas ouvidos pelo DCI, contudo, reconhecem que a tecnologia ainda não atingiu todo o potencial preconizado pela indústria anos atrás; segundo relatório feito pela empresa independente OpenSignal em junho, a disponibilidade do 4G brasileiro é de 55,2%.

Para Heibel um dos problemas está no ecossistema de antenas, que não evoluiu na velocidade necessária por conta entraves burocráticos. “O ideal seria multiplicar o número de antenas por quatro”, avalia o sócio da 4Grid.

“O que tem retardado um pouco é a demora da liberação do 700 MHz”, completa Tude. Ideal para o 4G, a faixa está sendo liberada às teles na medida que o sinal de televisão analógico é desligado nas cidades. Segundo informações enviadas pela Anatel ao DCI ontem, 3.489 municípios já têm o 700 MHz pronto para o 4G.

A capital paulista não é uma delas: neste caso o 700 MHz só estará liberado no segundo semestre de 2018, pois depende do sucesso do desligamento analógico em regiões como Santos, Campinas ou o Vale do Paraíba, que iniciaram o processo ontem (29). Rio de Janeiro e Belo Horizonte também não têm o 700 MHz pronto.

Mercado

Tanto a Vivo quanto a TIM podem ser chamadas de líderes em 4G no Brasil, mas a partir de parâmetros distintos. Enquanto a empresa do grupo Telefônica tem um share de acessos maior (33,8% em setembro contra 27,1% da TIM, 22,1% da Claro, 15,7% da Oi e 1,1% da Nextel), a operadora ítalo-brasileira tem o serviço presente em mais cidades: são 2.551, dos quais quase 1.296 foram incluídas ao longo de 2017.

“Fizemos uma expansão muito forte. Nosso foco é o 4G e isso vai continuar assim pelos próximos anos”, declarou o gerente de rede da TIM em São Paulo, Gabriel Lago. No estado com a principal economia do País a operadora já tem o 4G em 569 de 645 cidades. Neste caso, a saída encontrada pela empresa e pela indústria como um todo foi direcionar à tecnologia a disponibilidade das faixas que suportam o 2G ou 3G enquanto o 700 MHz não fica pronto.

“A quantidade de dados mensal que um cliente 4G usa é de duas a três vezes maior do que a do usuário 3G”, afirmou Lago, observando que o cliente “passa a usar mais dados” a medida que percebe uma melhora na qualidade do serviço. Ao fim do terceiro trimestre a TIM já contava com mais acessos 4G do que 3G (24,8 milhões contra 21,6 milhões).

A Vivo terminou 2016 com o 4G disponível em 516 cidades; de lá para cá 1.677 municípios foram incluídos, totalizando cobertura de 2.193 na última sexta-feira. “Nossa meta para o ano era superar as dois mil. O que veio depois disso é resultado do esforço”, afirmou o diretor de engenharia móvel da Vivo, Átila Branco. Em setembro a empresa somava 30,9 milhões de linhas móveis 4G.

Segundo Branco, a disponibilização do 4G em cidades novas é um processo muitas vezes complexo, com “trâmites onerosos e burocráticos”, sobretudo, em nível municipal. “Uma cidade coberta hoje é resultado de um trabalho que começou um ano atrás”. Passada essa barreira, o 4G deverá ser vital também na ascensão da internet das coisas. “O IoT deve explodir no 5G, mas vai começar no 4G”.

Na Claro a cobertura 4G está disponível em 1.296 cidades (a empresa começou 2016 com 598), ou 81,4% da população. A Nextel conta com cobertura própria em 34 municípios paulistas e fluminenses; segundo a operadora, no Rio 91% da base de clientes já foi convertida. Já na Algar a tecnologia está disponível em 24 cidades. Após tomar a decisão de não comprar faixas de 700 Mhz em 2014, a Oi contabilizava cobertura em 284 em outubro. Para Tude a diferença para as rivais “ainda não pesou muito, mas vai pesar daqui para frente”, antecipa.

Fonte: DCI 

Compartilhar