O papel da escola vai muito além da oferta de uma boa formação para crianças e jovens. Inclui preparar pessoas para a vida, para o exercício crítico e participativo da cidadania, adquirindo assim condições de sujeitos de direitos e deveres, de forma a fortalecer a dimensão de humanização e a democracia. A formação para valores implica educar para o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à solidariedade, à tolerância e respeito às diferenças e aos diferentes de si mesmo. Em suma, é preciso formar pessoas para um humanismo solidário.

Vivemos num país que busca fortalecer sua democracia ainda marcada por gritantes desigualdades sociais, econômicas e educacionais.  Tal realidade é responsável por aumentar a cultura da violência, principalmente contra jovens marginalizados das periferias e das comunidades. Somente mudaremos este triste cenário no dia e que entenderemos que não podemos mais terceirizar a educação e que ela é trabalho conjunto que envolve: escolas, famílias, comunidades e governos.

Esta é uma utopia que não podemos abandonar, inspirados em países que fizeram esta experiência a exemplo da Alemanha e da Coréia do Sul após a Segunda Guerra Mundial.

Nos fortalecemos também com pessoas como Nelson Mandela, que liderou a luta contra o regime racista de minoria branca na África do Sul e se tornou o primeiro presidente negro de seu país. Este dizia que a educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo.

Já o líder da independência da Índia, Mahatma Gandhi, estava convencido de que nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo. Adepto da não-violência, Gandhi sabia que a paz é um processo contínuo e permanente, que requer um esforço conjunto de toda a sociedade para que seja alcançada. 

Na mesma senda de Mandela e Gandhi, o patrono brasileiro dos direitos humanos, Dom Helder Câmara, afirmou que a melhor maneira de ajudar os outros é ensiná-los a pensar. Nos somamos a ele por acreditar que uma boa educação promove a cultura da paz ao devolver a cada jovem, vitimado pela violência real e simbólica, uma educação integral e integradora que restitua seus sonhos roubados e seus projetos de vida ceifados.

Portanto, educá-los para a cultura da paz é proteger a vida humana, principalmente de nossos jovens brasileiros, e colocá-los como protagonistas de suas trajetórias, tomando em suas mãos a grande tarefa : reumanizar o humano por meio da formação de pessoas e de grupos.

E a escola torna-se protagonista nessa estratégia conjunta  de disseminação da cultura da paz. Sua contribuição é decisiva   para a formação de gerações conscientes, autônomas, solidárias e generosas. A instauração desta nova cultura pode superar a violência e a banalização da vida humana ao devolver a esperança juvenil por um futuro que lhe assegure horizonte e utopia para continuar a caminhar na construção de seu projeto de vida.

Por mais difícil que se apresente a superação de todas as formas de violência, agressão ou qualquer ameaça à vida, torna-se urgente e necessária a consolidação de nossa sociedade democrática por meio da instauração da cultura da paz.

Fonte: Dr. Paulo Fossatti, presidente da ANEC e Reitor da Universidade La Salle

 

 

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