Todo herói é pai? Nesta história sim!

Em obra esgotada e lançada pela Amazon, autor Paulo Stucchi prova que fraternidade é consolidada por amor

Esta afirmação é correta por diversos motivos, mas tem uma questão em particular muito importante: amor.  Pais não são feitos por biologia e genética e sim por todos aqueles momentos em que se dedicaram aos cuidados, aos pequenos detalhes e as infinitas noites de preocupação. No romance Menina, escrito pelo jornalista Paulo Stucchi e recém lançado na Amazon, a ideia de fraternidade por laços muito mais fortes do que nossos olhos podem enxergar fica muito clara na relação construída entre os personagens: o soldado negro desertor e a menina índia guarani.

Na trama que tem como cenário a Guerra do Paraguai, o autor revela de forma sensível a cumplicidade cultivada entre duas pessoas que se conhecem de forma atípica. Entre eles, nasce uma relação de amor e o sentimento de resiliência a fim de encontrarem esperança e união. O destino do soldado negro, desertor do exército imperial do Brasil, muda completamente ao encontrar em seu caminho uma índia guarani, María. A menina, única sobrevivente de sua família totalmente devastada pela Guerra, sonha em chegar a Assunção onde imagina que terá um recomeço. É por meio desta trajetória que a fraternidade mais pura e genuína é consolidada.

Com fatos históricos sobre o conflito disseminado pela Tríplice Aliança, Brasil, Argentina e Uruguai contra o governo expansionista e militarista de Francisco Solano López, a obra é escrita com intensa narrativa de personagens entre relatos de batalhas internas e interesses políticos estudados e pesquisados até hoje.

Menina: Quando o destino traz união em tempos de guerra

Na obra, lançada agora pela Amazon, o autor Paulo Stucchi revela sensibilidade durante o cenário histórico da Guerra do Paraguai e narra a incrível história de cumplicidade entre um soldado negro desertor e uma menina índia guarani

Com edição esgotada, Menina, obra do jornalista e escritor Paulo Stucchi é relançada pela Amazon Brasil. No romance ambientado durante a Guerra do Paraguai, 1864-1870, o autor relata o conflito disseminado pela Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai contra o governo expansionista e militarista de Francisco Solano López.

Com intensa narrativa e construção de personagens, Stucchi traduz de maneira ímpar o amor e amizade entre Negro João, soldado desertor do exército imperial do Brasil, e María, menina índia paraguaia que dá título à obra. A comunicação entre os dois é baseada em olhares e gestos – recurso utilizado pelo autor para diminuir a barreira entre as línguas.

“Os homens que amavam podiam falar, não somente pelo coração, mas pela energia que transborda através do amor.”

Depois de ser enviado à Guerra, João almeja a alforria ao término do conflito. No entanto, o destino o leva a outra missão ao conhecer María, única sobrevivente de sua família que morava no interior paraguaio devastado pela guerra. Por sua vez, a menina guarani sonha em concretizar o desejo de sua mãe quando viva: chegar a Assunção, e, ali, recomeçar sua vida.

Entre relatos de cólera, fome e medo, o autor mescla conflitos internos e interesses políticos à honra; e a esperança e redenção aos dois pilares essenciais na formação do Brasil e Paraguai: o negro e o índio guarani.

A trama levou 12 anos para ser construída e possui profunda pesquisa do autor sobre fatos históricos importantes, como a narrativa da Batalha de Acosta Ñu. Também conhecida como Batalha de Los Niños ou Campo Grande, o conflito foi uma das últimas tentativas de resistência dos guaranis em blindar a fuga de Solano López para o interior do Paraguai. A data de 16 de agosto de 1869 ficou marcada como o mais sangrento infanticídio da historia sul-americana.

O Dia das Crianças no Paraguai foi proclamado na mesma data como homenagem às vitimas.

Massacre

“No es necesário decir que tenemos aqui a unos cinco o seis mil valientes soldados que esperan el ataque contra el enemigo en un número mucho mayor que la invasión de nuestra tierra. Sin embargo, también es necesário recordar la valentia del soldado Paraguayo. La valentia de todos los hombres de esta tierra que están dispuestos a morir antes de entregar nuestro país a los vecinos gigantes que se vem a nosotros como buitres”.

Historiadores estimam que cerca de 20 mil soldados aliados lutaram contra seis mil paraguaios, boa parte adolescentes e crianças, durante a Batalha de Acosta Ñu, região hoje próxima San Bernardino, no Departamento de Cordilheiras. O alistamento de meninos tornou-se uma realidade no ano final da guerra devido à escassez de homens aptos a lutar no exército paraguaio.

O livro também destaca a figura feminina paraguaia e seu exímio desempenho no papel pós-guerra, e o papel do negro no Exército Imperial do Brasil e na sociedade do século 19.

Enfim, Menina traz ao leitor um romance com fatos históricos e descrições de episódios reais. Uma leitura intensa, provocadora, que traz reflexões sobre o quanto a guerra pode afetar o destino das pessoas e destruir sonhos, mas, também, aflorar o que existe de mais humano em todos nós: o desejo de proteger a vida, e de recomeçar uma nova realidade, em paz.

Sobre o autor:
Paulo Stucchi é psicanalista e jornalista. Atuou como redator, jornalista responsável e editor em jornais impressos e revistas. Também foi professor e coordenador de curso de Comunicação. Atualmente, divide

 

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