Atualmente muito se fala em tecnologia e estatística aplicadas à área jurídica. Fato é que, com o avanço da tecnologia, caminha-se para uma necessidade a análise de dados que propiciem ao gestor de empresa a tomada de decisões estratégicas para minimizar as dores provocadas por processos jurídicos contra seus produtos e serviços.
Assim como grandes empresas, os escritórios de advocacia têm voltado os olhos para esta novidade tecnológica, mas poucos sabem como fazer.
Fato também que uma ferramenta tecnológica, por melhor que seja, não fornece dados se não for corretamente alimentada, abastecida de informações. Aliás, eis aqui o grande segredo de qualquer software jurídico: o lançamento de dados.
Esse assunto nos leva a um outro paradigma existente em boa parte dos escritórios de advocacia: a mudança de cultura. O advogado precisa entender que a alimentação de dados de forma contínua e correta vai trazer benefícios a todos os envolvidos na cadeia operacional. E não tirar o emprego dos mesmos.
Entenda-se que a ciência de dados ou estatística, como queiram nomear, parte do princípio que haverá dados a serem importados, tratados, modelados e resultantes na consequente tomada de decisões.
Não estamos falando da inserção de dados de qualquer forma, genérica, mas sim da alimentação com as informações da ponta das árvores. Informações categorizadas fornecem dados e estatística confiável. O input de informações genéricas leva ao retrabalho do estatístico, bem como a manipulação de dados condizentes aos interessados.
Ainda sobre a correta alimentação de dados para uma ferramenta tecnológica é necessária a gestão por processos. É necessário ter procedimentos que levem ao input dos dados por todos os usuários e departamentos envolvidos no fluxo. Processos definidos e otimizados corroboram com a rotina de alimentação de qualquer ferramenta tecnológica.
Assim como o engenheiro precisa analisar e conhecer o projeto e suas fases para fornecer um diagnóstico preciso, um estatístico também precisa conhecer os processos da empresa ou departamento no qual está analisando os dados. É preciso entender a distribuição do conjunto de dados.

De fato, estamos na “era dos dados”, mas isso não significa que o acesso a eles irá proporcionar ganhos significativos, pois nem todo dado tem boa qualidade. E a boa qualidade do dado tem como premissa a gestão por processos que por consequência possibilitará ao cientista a formulação de hipóteses com mais fundamentos.
Só há uma forma de dar significado aos grandes investimentos feitos em tecnologia por qualquer tipo de organização: por meio de organização e melhoria de processos de negócio.
A sintonia entre todos os profissionais envolvidos em uma operação onde o objetivo é mostrar através dos dados as necessidades para melhorias de um sistema reflete no bom funcionamento da engrenagem. Cada profissional, advogado, programador, engenheiro, estatístico e usuário das ferramentas, possui funções imprescindíveis para o bom funcionamento dessa engrenagem.
Assim sendo, haverá sentido em investir-se em tecnologia para geração de dados, pois saber-se-á por que e para que serão utilizados os dados mais próximos da realidade. E isso tem um valor raro e muito precioso.

Fonte: Priscylla Spencer
Engenheira de Produção / Especialista em Gestão de Processos
Priscylla Spencer é engenheira, com 36 anos de idade, e 13 anos de experiências no mercado, nas mais diversas áreas profissionais. Carreira iniciada como técnica em geologia e mineração na empresa Vale, na sequência, foi assistente de engenharia logística no Grupo Pão de Açúcar, gerente, coordenadora e diretora de logística jurídica no escritório Lee, Brock e Camargo Advogados e gerente de planejamento de obras na Rezende Empreendimentos Imobiliários. Em 2011 fundou a Spencer, consultoria especializada em gestão e otimização dos processos. É pioneira no mercado como profissional na área de mapeamento de fluxos e organização dos processos na área jurídica. Formação Acadêmica Possui formação de Tecnólogo em Geologia e Mineração pela Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, é graduada em Engenharia de Produção pela Universidade Anhembi Morumbi, onde também possui formação específica em Planejamento e Controle das Operações Logísticas e MBA em Gestão de Projetos.

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