A indústria de máquinas de construção está mais confiante acerca da retomada do crescimento, após três anos de profunda recessão. Porém, o parque brasileiro ainda está altamente ocioso e, a rentabilidade das empresas, em risco.

Para 2017, o setor projeta queda entre 3% e 5% das vendas. “Esperávamos um pequeno viés de alta neste ano com o retorno das concessões de infraestrutura, mas o ‘efeito JBS’ piorou o cenário”, afirmou ao DCI o vice-presidente da entidade que reúne os fabricantes (Sobratema), Eurimilson Daniel.

O dirigente conta que o auge do mercado brasileiro ocorreu em meados de 2011, quando foram vendidas aproximadamente 30 mil máquinas no País. Mas nos anos seguintes a demanda foi caindo pouco a pouco, atingindo cerca de 8,6 mil unidades no ano passado.

“Hoje, a ociosidade média da nossa indústria é de 70%”, destaca Daniel.

O vice-presidente da Case Construction Equipment para América Latina, Roque Reis, está um pouco mais pessimista. “Projetávamos um mercado de 7,9 mil máquinas neste ano, mas agora estimamos 7 mil unidades para o Brasil em 2017”, afirmou ao DCI.

Segundo Reis, diante da crise política, não há ambiente para vendas de máquinas para construção. “Além disso, o setor também depende dos acordos de leniência com as principais empreiteiras do País para que possam participar das próximas concessões.”

O dirigente da Sobratema revela que a ociosidade do parque de máquinas no Brasil se aproxima de 60%. Por outro lado, Daniel alerta para o envelhecimento da frota. “As empresas terão que renovar suas máquinas em breve, pois quanto mais antigo o bem, mais manutenção e custos são gerados”, explica.

Ele observa que União, por meio das agências reguladoras, propiciou um ambiente regulatório mais amigável para os estrangeiros. Uma das medidas apontadas pelo dirigente diz respeito aos editais de novas concessões, que vêm em português e inglês. “Isso favorece a atração do capital.”

Daniel ressalta que as concessões nos segmentos de energia e aeroportos já demonstraram o apetite do investidor estrangeiro no Brasil. “Agora só falta o País destravar os aportes em rodovias, que geram nossa maior demanda.”

Ele estima ainda que as concessões em infraestrutura comecem a gerar pedidos para a indústria de máquinas de construção em um prazo de até seis meses.

Rentabilidade

Reis, da Case, afirma que a empresa implementou recentemente um reajuste de 5% a 7%, dependendo do produto. No entanto, a crise e a competição do mercado derrubaram os preços das máquinas. “Em alguns segmentos, houve uma queda do patamar de preços de até R$ 100 mil”, pontua.

A companhia é uma das veteranas na fabricação local e viu a entrada maciça de concorrentes vindos principalmente da Ásia no auge do mercado interno, em meados de 2011. “Os novos entrantes continuam atacando preço para ganhar market share”, revela.

Conforme o vice-presidente da Sobratema, algumas empresas tiveram que fechar parte das suas linhas ou até foram embora do Brasil. “Isso só não ocorreu com algumas multinacionais, que entre as suas estratégias aumentaram o foco nas exportações”, diz Daniel.

A Case, conforme Reis, vem mantendo todas as suas operações no Brasil. Porém, ele alerta para a pressão sobre os preços das máquinas no mercado interno. “O atual patamar não vai sustentar a capacidade produtiva das empresas por muito tempo”, avalia. Ele acredita que, enquanto não houver fortes investimentos em infraestrutura, a situação o setor não deve melhorar.

Daniel salienta que os fabricantes trabalham há dois anos sem rentabilidade. “Nenhuma empresa pensa em investir com o atual nível de preços. As marcas estão queimando estrutura para bancar os custos operacionais”, diz. “Só devem sobreviver empresas desalavancadas, com estrutura financeira em ordem ou que enxugou rapidamente os custos logo que a crise bateu à porta.”

Fonte: DCI

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