Licitação sustentável, consumo consciente, eficiência energética e uso racional da água nos órgãos públicos foram os temas discutidos nos quatro primeiros painéis apresentados na tarde desta quinta-feira (28) durante a segunda edição do Seminário de Planejamento Estratégico Sustentável do Poder Judiciário, evento de dois dias (28 e 29) que está acontecendo no STJ.

Palestraram nessa sessão de painéis Ketlin Feitosa de Albuquerque Lima Scartezini, chefe da Assessoria de Gestão Socioambiental do STJ; Ana Carla Leite de Almeida, do Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA); Cláudia Amorim, coordenadora do Laboratório de Controle Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), e o arquiteto Mário Viggiano, do Senado Federal.

Problemática, estratégias e resultados práticos deram a tônica das apresentações. “Infelizmente, as pessoas ainda ignoram o conteúdo da palavra sustentabilidade. Não é só poupar árvore”, disse Ketlin Feitosa.

Compra sustentável

Ana Carla Leite, do MMA, falou dos impactos de uma licitação sustentável dentro e fora do órgão. Segundo ela, o governo despende anualmente mais de R$ 600 bilhões com aquisição de bens e contratações, montante que mobiliza vários setores da economia, da indústria ao varejo.

“Quem são os fornecedores? Como eles trabalham? Onde está a responsabilidade sustentável no fornecimento, na cadeia do produto? Você está comprando esse produto, mas você sabe por que ele é sustentável?”, questionou ela.

Os arquitetos Cláudia Amorim e Mário Viggiano apresentaram alternativas aos órgãos públicos para um menor impacto ambiental e maior ganho social na questão energética e no uso racional da água.

Os palestrantes falaram sobre aproveitamento de luz natural, projetos de climatização, etiquetagem de eficiência energética dos edifícios, aproveitamento da água das chuvas. Ao final das apresentações, os participantes puderam fazer perguntas técnicas sobre o que foi apresentado.

Resultados práticos

Ketlin Feitosa, da Assessoria de Gestão Socioambiental do STJ, apresentou os resultados práticos dessa mudança de paradigma dentro do tribunal.  Ela citou o fim dos estoques paralelos, para os quais as seções pediam material além do que precisavam, e deu como exemplo de compra desnecessária um pedido para aquisição de 22 carrinhos de transporte de processos em plena era do processo eletrônico.

Também citou campanhas internas, como a do copo descartável, para incentivar os servidores a trazer seus próprios copos, e a distribuição de recipientes para descarte de papéis nas mesas dos servidores.

“Em apenas dois anos de aplicação desse consumo consciente, economizamos para o contribuinte mais de R$ 6 milhões”, afirmou.

Ketlin concluiu sua apresentação reforçando a ideia de que o sucesso do trabalho depende de uma aplicação sistêmica dentro do órgão, o que deve começar com o engajamento da cúpula das instituições.

“A unidade ou núcleo socioambiental tem de estar ligado à alta administração. Não vamos conseguir mudar de baixo para cima. Todas essas ações têm de estar descritas no planejamento estratégico da instituição, porque vai dar responsabilidade para todo mundo que está ali dentro”, finalizou.

Fonte: STJ

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