Para se adaptar a nova realidade do mercado, shopping centers localizados em prédios tradicionais da cidade de São Paulo, como o Light e o Pátio Paulista, investiram na reforma dos edifícios e na reestruturação do ‘mix’ de lojas. Os aportes já têm se refletido nas vendas e no fluxo de clientes.

Comprado em 2015 pela administradora Gazit, o Shopping Light, localizado no prédio que abrigava a companhia de eletricidade Light, recebeu um aporte de R$ 25 milhões. O montante foi destinado a uma reforma da parte interna do edifício, da iluminação e na expansão da Área Bruta Locável (ABL). No processo, finalizado há cerca de um mês, o superintendente do empreendimento, Edelcio Cazelato, conta que houve ainda uma reestruturação grande do ‘mix’ de lojas e do posicionamento.

“Tínhamos muitas lojas cujas vendas não correspondiam a nossa expectativa, e chegamos a ter, com essa restruturação, 45 unidades fechadas do total de 100. Hoje só duas dessas ainda estão em negociação”, afirma. Na reformulação do portfólio, a empresa aproveitou para aumentar a presença das operações de serviços e lazer, indo de encontro com a tendência do mercado.

“Uma coisa que não tínhamos era lazer. Buscamos formas de investir nisso e em breve devemos inaugurar uma Magic Games”, diz. A Gazit investiu ainda na reforma completa da praça de alimentação e têm planos, para 2018, de aportar mais R$ 12 milhões em uma nova reforma do rooftop do centro. Todo o aporte vem do caixa da administradora. “Para o início de 2018 queremos levar restaurantes e um bar ao rooftop para toda a área ser ocupada. É um aporte de R$ 12 milhões para viabilizar um acesso melhor a área.”

O executivo ressalta que um fator que torna qualquer processo de reforma mais custoso para a companhia é o fato do edifício do shopping ser um patrimônio histórico. “Qualquer aporte em prédio tombado tende a ser maior”, afirma. Além disso, ele diz que isso impõe algumas limitações aos planos da companhia. Uma delas é a instalação do cinema. “Temos essa ideia, mas pelo fato do shopping ser tombado não há a possibilidade no momento. O cinema precisaria de um pé direito maior do que temos e de uma área grande.”

Com o investimento – que levou o empreendimento de 100 lojas para 112 – e a reformulação do portfólio de operações, Cazelato diz que houve um incremento considerável no fluxo de clientes e nas vendas dos lojistas. Em julho, por exemplo, as vendas ficaram 20% acima do resultado visto no mesmo mês do ano passado. Considerando o acumulado dos sete primeiros meses, o executivo conta que o shopping movimentou R$ 15 milhões a mais do que em 2016. Outro indicador que reforça a assertividade das mudanças é o de vendas mesmas áreas, que mede a evolução dos negócios apenas nas áreas já existentes. “As lojas substituídas estão crescendo 107% a mais, em comparação às anteriores, o que mostra que as trocas foram corretas”, diz.

O shopping Pátio Paulista, localizado no edifício que abrigou de 1955 até 1988 a loja de departamento Sears, também passou por um processo recente de reforma, expansão e reestruturação do ‘mix’ de lojas. Um dos motivos que impulsionou o movimento, além da revitalização necessária, foi a percepção de que o shopping precisava melhorar o portfólio de lojas em algumas atividades, como lazer e serviços.

“Entendemos que o shopping não é mais só um local de consumo, mas de entretenimento e serviços. Estamos fazendo a complementação do ‘mix’ para dar essa oferta a mais e foi essa também uma das razões da expansão, para se adaptar a nova realidade do mercado”, afirma o superintendente, Alexandre Bicudo.

Com aporte de R$ 130 milhões, a reforma, finalizada em outubro do ano passado, aumentou em cerca de 15 mil metros quadrados a ABL do empreendimento. O resultado do aporte já é percebido tanto no fluxo quanto nas vendas dos lojistas. No acumulado deste ano até julho, o fluxo de veículos aumentou 10%, frente igual intervalo do ano passado.Já o faturamento das vendas das lojas avançou em 25%, na mesma base comparativa. O crescimento expressivo se deu, contudo, graças ao maior número de lojas presentes. De janeiro a julho, o shopping recebeu 25 novas operações, e a previsão é que até o final do ano o número chegue a 45.

Considerando apenas as lojas existentes há mais de doze meses, a expansão nas vendas foi de 6%, no mesmo intervalo, frente a 2016. A previsão de Bicudo, no entanto, é que as vendas acelerem ao longo do segundo semestre, fechando o ano com alta de 8% a 10%.

Para 2018, o principal plano do Pátio Paulista é inaugurar um teatro no espaço, reforçando ainda mais as operações de entretenimento. “Tem alguns detalhes que estamos discutindo, mas a perspectiva é que tenhamos o teatro até o final do ano que vem”, afirma.

Fonte: DCI

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