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As preferências do "consumidor" e a análise do custo-benefício

César Bergo Um ponto importante da teoria econômica é a questão relacionada às preferências do consumidor por bens e serviços.

César Bergo Um ponto importante da teoria econômica é a questão relacionada às preferências do consumidor por bens e serviços. Muitas situações viáveis existem, mas umas são claramente preferíveis às outras, considerado o fato de que necessitam de menos recursos para que sejam obtidos os mesmos resultados. A economia se ocupa precisamente de buscar essas situações mais eficientes, que permitam maior satisfação das necessidades humanas com o menor esforço possível o que, inquestionavelmente, integra a forma de atuar racional do homem em todos os tempos.

A racionalidade econômica está igualmente presente na avaliação do custo-benefício de determinada ação ou empreendimento econômico, cuja base teórica é conhecida como o "custo de oportunidade"(1) e é fator determinante na concretização de negócios em uma sociedade. Além disso, muitas ações na vida envolvem a efetivação de pequenos ajustes adicionais a um plano de ação existente. Os economistas os denominam de "alterações marginais".

Assim, a tomada de decisão depende de fatores subjetivos influenciados por uma dinâmica de incentivos ou vantagens. Tomemos o seguinte exemplo: Como a Lei do cinto de segurança afeta a segurança do trânsito? O efeito direto é óbvio.

Com o cinto em todos os carros, mais pessoas o utilizam e a probabilidade de sobreviver a um acidente aumenta. Neste sentido, os cintos salvam as vidas. O impacto direto na segurança foi o que levou à edição de uma Lei obrigando o seu uso.

Mas, para se entender o alcance da mesma, deve-se reconhecer que as pessoas alteram seu comportamento em resposta aos incentivos oferecidos. Neste caso, o comportamento relevante é a velocidade e a prudência com as quais as pessoas dirigem. Ao decidirem com que nível de segurança devem dirigir, as pessoas racionais comparam o benefício marginal de uma direção segura com o seu custo marginal.

Elas dirigem mais lentamente e com cautela, quando o benefício da maior segurança é alto. Isso explica porque as pessoas dirigem mais atentamente quando está chovendo. Veja agora como isso afeta o cálculo de custo-benefício de um motorista racional.

Os cintos tornam os acidentes menos custosos para o motorista porque reduzem a probabilidade de ferimentos ou morte. Logo, a Lei do cinto de segurança reduz o benefício de se dirigir lenta e cautelosamente. As pessoas respondem aos cintos de segurança como o fariam a uma melhoria das estradas: dirigindo com mais velocidade e menos cau- tela.

Portanto, o resultado final da Lei do cinto de segurança é um número maior de acidentes. Tudo isso serve para mostrar que ao analisar qualquer ação no campo econômico é preciso considerar não só os impactos diretos, mas também as consequências indiretas que decorrem da aplicação de vantagens ou incentivos, pois sempre irá provocar uma alteração no comportamento das pessoas. --- (1) Custo de oportunidade: qual- quer coisa de que se tenha de abrir mão para obter algum produto ou serviço. Muitas vezes os toma- dores de decisão verificam que o benefício obtido não compensa o custo e o negócio não é efetivadoCésar Bergo é Coordenador da Pós-Graduação em Mercado Financeiro e Capitais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília (FPMB) e presidente do Conselho Regional de Economia da 11ª Região.

Especialista em governança corporativa, sociólogo e economista, com atuação no mercado financeiro há mais de 30 anos.Sobre a Faculdade Presbiteriana Mackenzie A Faculdade Presbiteriana Mackenzie é uma instituição de ensino confessional presbiteriana, filantrópica e de perfil comunitário, que se dedica às ciências divinas, humanas e de saúde. A instituição é comprometida com a formação de profissionais competentes e com a produção, disseminação e aplicação do conhecimento, inserida na sociedade para atender suas necessidades e anseios, e de acordo com princípios cristãos. O Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM) é a entidade mantenedora e responsável pela gestão administrativa dos campi em três cidades do País: Brasília (DF), Curitiba (PR) e Rio de Janeiro (RJ).

As Presbiterianas Mackenzie têm missão educadora, de cultura empreendedora e inovadora. Entre seus diferenciais estão os cursos de Medicina (Curitiba); Administração, Ciências Econômicas, Contábeis, Direito (Brasília e Rio); e Engenharia Civil (Brasília). Em 2021, serão comemorados os 150 anos da instituição no Brasil.

Ao longo deste período, a instituição manteve-se fiel aos valores confessionais vinculados à sua origem na Igreja Presbiteriana do Brasil.

Publicado em 17 de março de 2021
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