Por Fernanda Medei, fundadora e CEO da Medei* A demissão é o momento de luto na vida de qualquer pessoa. A notícia cai feito uma bomba e automaticamente passa um filme na cabeça do demitido com a seguinte pergunta: E agora, o que vou fazer? Ainda, há dois elementos importantes: a forma e a circunstância em que a notícia é comunicada.
Alguns gestores se preparam para comunicar a demissão de forma humanizada, com empatia e, especialmente, com a certeza de que tomou todas as ações e chances necessárias que o funcionário poderia ter na companhia. Outros gestores não se preparam para realizar a demissão, e, infelizmente, em alguns casos, faz o processo na frente de outros colaboradores. A falta de preparação, combinada com o momento do isolamento social e falta de perspectivas sobre o futuro enquanto perdura a pandemia mundial, gera inúmeras demissões sem os cuidados necessários, gerando na pessoa demitida uma grande dor, além dos eventuais problemas com a saúde mental.
A demissão humanizada não tira a dor do processo, mas minimiza essa dor. Para quem é demitido, observa-se o cuidado que a empresa teve com seu processo e com sua vida; o reflexo na família do demitido também chega. Eu ouvi vários casos de pessoas demitidas e suas famílias, que passaram a odiar a empresa, ou até mesmo a pessoa do gestor.
Isso acaba reverberando na comunidade ou até na marca empregadora. Por isso, muitas empresas estão aderindo à demissão humanizada. Um processo de desligamento do funcionário bem menos traumático e mais suave, com explicações diretas sobre seus direitos e valores, com oportunidade de expressão e perguntas dos mais variados tipos do ex-funcionário para seu ex-empregador.
Esse tipo de desligamento já é praticado desde os anos 80 para os altos executivos, mas somente agora chega para o grande público. É uma maneira que as empresas encontraram de tornar a experiência dos seus colaboradores mais interessante, além de gerar um melhor clima organizacional e fazer com que seu ex-funcionário não tenha nenhuma questão pendente, evitando ações trabalhistas e exposições desnecessárias, tanto para a empresa, quanto para o agora ex-funcionário. Para se ter uma ideia, apenas no mês de abril deste ano, houve um aumento de 451,3% na quantidade de ações trabalhistas ingressadas, em relação a março do mesmo ano e 40% das ações trabalhistas são relativas às discussões de verbas rescisórias.
São números muito grandes para serem ignorados, e eles podem ser revistos se as empresas compreenderem que o ex-funcionário demanda um tratamento mais humano, calmo e descomplicado quando for desligado, diminuindo muito a necessidade de procurar um advogado para entender todos aqueles textos contábeis e jurídicos dos documentos que precisam ser assinados. Para o ex-colaborador, os benefícios são muitos, pois é uma saída menos traumatizante. O tempo de luto pela perda do emprego é menor e, por isso, esse ele pode se reinventar ou se atualizar mais facilmente, uma vez que o processo foi muito mais fácil.
E para a empresa, sua imagem no mercado e entre seus funcionários, fica muito mais fortalecida, gerando um clima organizacional muito mais ameno e otimista, e ainda diminui a possibilidade de processos trabalhistas. A demissão humanizada é o tipo de ação que ainda está se estabelecendo no País, mas que tem vantagens consistentes para os dois lados da mesa. A contratação pode ser um momento de empolgação e de deslumbramento, mas a demissão pode ser um momento de reflexão e compreensão.
Não precisa ser um trauma, pode ser só a chave para novos horizontes. *Advogada com especialização em direito tributário pela PUC- SP, Fernanda Medei conta com passagens em pequenas, médias e grandes empresas. Sempre com atuação em departamentos jurídicos e escritórios, a empreendedora resolveu pivotar a sua carreira para a área de Recursos Humanos. Em 2011 passou pela pior experiência de homologação de sua vida, ao ser demitida e esperar por 120 dias até ser homologada.
Um processo totalmente despreparado, sem informações e sem o menor cuidado, mas viu ali uma oportunidade de transformação e ajudar empresas e colaboradores nos finais de seus relacionamentos. Fundadora da Medei, plataforma especializada em promover demissões mais humanas e transparentes, além de simplificar os processos homologatórios, normalmente burocráticos. Pela Medei já foram atendidos mais de 100 mil ex-funcionários e grandes corporações como Santander, Sanofi, Avon e Natura.
Sobre a Medei A HRTech Medei cuida do pós-desligamento utilizando workflow exclusivo, com gravação do ato homologatório por meio de videoconferência. Conta com profissionais especializados e aptos a resolver todas as dúvidas dos ex-funcionários, além de oferecer um atendimento humanizado, entendendo o momento de cada desligamento. Seu propósito é atender e entender com acolhimento cada desligamento, tornando o ato da homologação menos robotizado, mais sincero e eficaz, gerando segurança ao ex-funcionário. O processo de gestão de desligamento torna-se mais rápido, eficaz e transparente, atuando de forma preventiva, evitando aumento no passivo trabalhista e melhora do employer branding. No mercado desde 2011, busca celeridade e transparência no processo de desligamento.
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