Falta da coleta de dados inviabiliza a criação de políticas públicas Entre os meses de março e abril muitas foram as dúvidas sobre a viabilização do Censo IBGE, já que em 2020, a pesquisa realizada a cada dez anos, acabou por ser adiada devido a pandemia de covid-19. No primeiro semestre deste ano, a decisão foi a mesma. Já os motivos do novo adiamento, vem causando debates entre especialistas, políticos, juristas e a população.
O valor pedido inicialmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para a realização da pesquisa era de R$ 3,4 bilhões. Entretanto, após pressões do Governo Federal, o Congresso aprovou R$ 71 milhões, o que acabou inviabilizando o censo. Sob o cenário de incertezas e corte de verbas, a antiga presidente do Instituto, Susana Cordeiro Guerra, pediu exoneração do cargo.
Desde então, especialistas questionam os efeitos da não realização do Censo. Para Rodrigo Prando, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), os impactos do adiamento vão além da coleta de dados como, aspectos urbanos e rurais, faixa etária, qualidade de vida, renda e consumo. Segundo ele, praticamente todas as políticas públicas e as iniciativas privadas demandam de um conhecimento científico e objetivo.
"Essa pesquisa ajuda a mapear a realidade do país, é uma fotografia de um determinado período que ajuda a compor um quadro mais amplo a respeito da nossa evolução. A ausência impacta como um apagão das informações. É perigoso para um país coordenar suas ações políticas ou até no âmbito da iniciativa privada sem conhecer de forma efetiva a sua realidade.", afirma.
Para Prando, o adiamento do Censo IBGE afeta também o diagnóstico preciso de representatividade dos políticos em cada estado feito através da quantidade de eleitores. Ele alerta ainda que a pesquisa é indispensável para os brasileiros. "Sem o censo, as políticas públicas são as mais prejudicadas e isso é extremamente ruim para qualquer perspectiva que se imagina de um país como o Brasil.
Apenas países ditatoriais não fazem censo ou em casos de desastres naturais, em proporções enormes, de uma sociedade que foi destruída em situação catastrófica", analisa. O professor acredita que a questão orçamentária não seja o único desafio para a realização da pesquisa, visto que há uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo para o governo readequar as verbas, e principalmente, pelo fato de que o orçamento deveria estar reservado para este tipo de ação. Prando diz que um dos empecilhos é o desinteresse político.
"Há uma falta de vontade política porque o censo pode revelar no futuro um retrato que não seja favorável ao projeto político do presidente em ser reeleito em 2022. Isto justificaria a tentativa de atrasar a divulgação de dados que provavelmente não seriam favoráveis ao governo.", explica. Na expectativa de uma possível realização da pesquisa, Prando diz enxergar esta possibilidade, pois mesmo com a pandemia, não é impossível que, dentro dos protocolos de segurança, os profissionais saiam às ruas para coletar as informações.
Ele ressalta que 86% dos trabalhadores brasileiros não estão em home office e analisa. "Se estas pessoas estão conseguindo trabalhar, dentro das restrições, é possível fazer o censo a partir do cuidado maior de ações de prevenção em relação a pandemia, como disponibilizando EPI (Equipamento de Proteção Individual).", conclui. Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie A Universidade Presbiteriana Mackenzie está na 103º posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação.
Possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras. Em 2021, serão comemorados os 150 anos da instituição no Brasil.
Ao longo deste período, a instituição manteve-se fiel aos valores confessionais vinculados à sua origem na Igreja Presbiteriana do Brasil.