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BIM: o futuro dos projetos imobiliários

Frente parlamentar criada para aumentar adesão à tecnologia inicia trabalhos em janeiro Por Daniel Caravetti e Luiza Bellintani Dentre diversas tecnologias que vêm surgindo para modernizar o mercado imobiliário, um dos destaques é o BIM…

Frente parlamentar criada para aumentar adesão à tecnologia inicia trabalhos em janeiro Por Daniel Caravetti e Luiza Bellintani Dentre diversas tecnologias que vêm surgindo para modernizar o mercado imobiliário, um dos destaques é o BIM (Building Information Modelling), considerado o novo conceito quando se trata de projetos para construções. O método se aplica em todo ciclo de vida de um edifício, inclusive em sua operação, e tem como principais beneficiários de seu uso os tomadores de risco de um desenvolvimento imobiliário, dada sua efetividade. A tecnologia BIM oferece modelos 3D muito mais fiéis ao produto final, além de gerar e manter informações importantes sobre cada parte da construção, valiosas para todas as pessoas envolvidas: engenheiros, arquitetos, gerentes de obras, entre outros.

Os dados fornecidos são referentes à estrutura da edificação e itens internos, como espessura, comprimento e altura, além de material utilizado, custos, propriedades térmicas, acústica etc. Portanto, a inovação não fornece apenas a visualização 3D do modelo real, como acontece com as ferramentas CAD (computer aided design), populares nos meios de engenharia e arquitetura. Estes programas não vão desaparecer, mas terão um papel secundário para agregar todas as funcionalidades do BIM. Em compensação, existem programas que já utilizam a nova tecnologia, como Autodesk Revit, Vector Works e ArchiCad.

A Autodesk Revit, inclusive, faz algumas pesquisas sobre a importância do BIM para as incorporadoras. Segundo a empresa, a tecnologia será capaz de aumentar a previsibilidade de custos em 72%, reduzir erros e aprimorar o cronograma em 85%, além de otimizar o design em 92%. Vantagens do BIM Um dos principais benefícios promovidos pelos softwares de BIM é a interoperabilidade.

Isso significa que participantes de diversas especialidades do projeto e da execução têm acessos a informações valiosas e detalhes relevantes, que contribuem para um trabalho mais dinâmico entre as partes. Cada pessoa pode atualizar o projeto em tempo real através do software, compartilhando novos dados importantes sobre qualquer elemento. Essa condição facilita que todas as funções sejam exercidas de maneira integrada, de forma que todos os trabalhadores estejam alinhados aos objetivos e expectativas do projeto desde o início.

Uma pesquisa do NIST (Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos) estabeleceu que US$ 15,8 bilhões são gerados para as construtoras como gasto adicional devido à falta de interoperabilidade nas obras a cada ano. Assim, modelos em BIM podem ser a solução para altos custos nos projetos de empreendimentos. A visualização facilitada oferecida pelo software, através de desenhos em 3D acompanhados de um detalhamento completo dos elementos do projeto, viabiliza outra vantagem promovida pelo BIM: a assertividade nos projetos.

Isso permite o desenvolvimento de desenhos mais leais ao produto final, além de projeções de custos, materiais necessários e maior precisão na solução de possíveis falhas. Ciclo BIM Como citado anteriormente, a utilização da tecnologia BIM ocorre desde a elaboração do projeto até a operação da edificação. Durante o planejamento, realidade do local e dados do mundo real são cruzados para gerar modelos do ambiente natural e da possível construção, permitindo definir também qual será o orçamento para o projeto.

São levados em conta aspectos como fundação, estrutura, alvenaria e fachada, que representam um caminho crítico das atividades a serem executadas. Posteriormente, existe a fase do design, onde se definem os detalhes do projeto. Desta vez, os dados BIM são utilizados para simular a programação e a logística do empreendimento, podendo adequar a construção às suas necessidades.

Com o projeto finalizado, a construção é iniciada, novamente com o auxílio da tecnologia. Nesta fase, todas as fabricações são feitas a partir das especificações fornecidas pelo modelo, como mostra o vídeo a seguir. Após a conclusão das obras, os dados são utilizados para operação e manutenção do empreendimento, como explica Marcus Vinicius Granadeiro, sócio-fundador da Construtivo, empresa de gestão de engenharia que utiliza o BIM.

“No sistema de iluminação, por exemplo, ficam armazenadas informações sobre quem fez o serviço, quando foi feito, quais os circuitos, quais as lâmpadas e suas capacidades, afinal, a obra foi toda planejada e monitorada. Isso permite que se saiba quando uma peça pode parar de funcionar, detectar e prevenir erros em um circuito etc.” diz. Implantação do BIM no Brasil Por aqui, já existem discussões sobre o uso de BIM nos projetos de construção.

Em 5 de junho de 2017, o então presidente Michel Temer sancionou o decreto que instaurou o CE-BIM (Comitê Estratégico de Implementação do Building Information Modeling). Este comitê teve como objetivo a discussão de métodos para a disseminação do BIM a nível nacional. Além disso, em alguns lugares, como Santa Catarina, já existem licitações de obras públicas que determinam a necessidade de que todo projeto seja desenvolvido em softwares compatíveis à tecnologia do BIM.

No setor privado, cada vez mais empresas consideram o BIM uma maneira de se destacar no ramo. Por possibilitar assertividade na definição de prazos, redução de custos e maior valor e qualidade ao serviço, projetos desenvolvidos dessa forma são vistos com maior relevância pelo mercado. Cláudio Menezes, diretor do Fundo de Investimentos Industrial Ventures e um dos responsáveis pelo advocacy em relação ao BIM, comenta que o setor de construção civil tem mostrado cada vez mais interesse em inovações.

A partir desse entusiasmo, foi criada uma frente parlamentar para elevar o índice de adesão ao BIM no país. O requerimento foi apresentado pelo deputado federal Hildo Rocha, com posterior formalização da Frente Parlamentar de BIM em 29 de outubro. O evento de lançamento da associação aconteceu no dia 10 de dezembro e, de acordo com Menezes, os trabalhos serão iniciados em janeiro de 2020.

Segundo Menezes, que é diretor-executivo da Indústria na Frente Parlamentar de BIM, os participantes irão discutir assuntos como o desenvolvimento de estratégias para a redução dos custos de adequação, incentivos a metodologias e sistemas através da desoneração dessas soluções e, inclusive, a obrigatoriedade do uso de BIM em projetos de obras públicas e privadas onde existam concessões públicas. Ainda, a Frente Parlamentar visa implementar legislações modernas que possam encorajar empreendedores para transformar digitalmente o setor de construção civil. “Vimos uma avalanche de crimes no contexto da [Operação] Lava Jato tendo como cerne as empreiteiras.

O BIM vem para trazer transparência completa em obras públicas e privadas de portes grande, médio e pequeno”, diz. Em relação à prática de advocacy pelo BIM, Menezes destaca a completa diferença na comparação com o lobby, proibido mas praticado por diversas empresas com vistas a obter vantagens próprias no Brasil. “Advocacy é batalhar por pautas que sejam positivas para todo o setor, uma prática na qual ninguém coloca dinheiro no bolso.

É diferente do que uma empresa de tecnologia pressionar parlamentares para criar determinada lei que venha a beneficiar seus interesses no mercado”, encerra. Fonte: Smartus Leia mais: • Para ser ON, seja OFF • Veja as empresas que participaram do evento Gestão Estratégica do Departamento Jurídico, mais conhecido como GEDJ. • Crises econômicas abrindo caminho para a disrupção tecnológica da área jurídica • A inconstitucionalidade e os riscos da revogação da prerrogativa da atuação em arquitetura e urbanismo

Publicado em 7 de janeiro de 2020
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