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Uso de IA avança no mundo jurídico, mas ‘alucinações’ preocupam advogados, mostra pesquisa

Uso de IA avança no mundo jurídico, mas ‘alucinações’ preocupam advogados, mostra pesquisa

Inteligência Artificial no mundo jurídico

Uso de IA avança no mundo jurídico, mas ‘alucinações’ preocupam advogados, mostra pesquisa

O uso de Inteligência Artificial (IA) já faz parte da rotina da Advocacia brasileira, mas ainda exige capacitação e supervisão humana, segundo pesquisa inédita divulgada pela AASP, Associação dos Advogados. O levantamento mostra que 87,4% dos advogados respondentes já utilizam alguma ferramenta de IA na atividade profissional, e desse total, 62,1% afirmam fazer uso frequente da tecnologia.

Conforme a AASP, a pesquisa quantitativa foi realizada entre 14 de maio e 14 de julho de 2026, reunindo 1.149 respostas de pessoas associadas à entidade, de diferentes estados, faixas etárias e áreas de atuação jurídica. O questionário abordou o perfil dos participantes, a frequência de uso de ferramentas de IA, os impactos na produtividade, o nível de confiança nas respostas geradas e os principais riscos percebidos pela categoria.

Alucinações lideram lista de preocupações

Segundo a AASP, mais da metade dos participantes, 54%, aponta como maior risco as chamadas alucinações da IA, ou seja, a produção de informações incorretas pela ferramenta. Em seguida aparecem o uso sem supervisão humana, com 23,2%, a dependência excessiva da tecnologia, com 14%, e os riscos relacionados ao sigilo profissional, com 7,2%.

Mesmo diante dos riscos apontados, a pesquisa indica que a percepção predominante entre os advogados é de complementaridade, e não de substituição da profissão pela tecnologia. De acordo com a AASP, a maioria dos profissionais acredita que a IA assumirá atividades operacionais e repetitivas, enquanto funções ligadas à interpretação jurídica, ao julgamento e ao relacionamento humano continuarão sendo desempenhadas pela Advocacia.

Confiança condicionada à revisão humana

A pesquisa da AASP mostra que, para 75,4% dos entrevistados, as respostas produzidas pela IA são confiáveis desde que submetidas à revisão humana. Apenas uma parcela reduzida do grupo afirma confiar de forma integral no conteúdo gerado pelas plataformas.

Para 84,3% dos profissionais ouvidos, a IA aumenta a produtividade ao apoiar atividades como pesquisa jurídica, elaboração de peças, organização de informações e análise de jurisprudência, segundo o levantamento. A entidade destaca que essas tarefas tradicionalmente demandam grande volume de tempo e passam a ser executadas com maior agilidade, permitindo que advogados concentrem esforços em atividades analíticas e na relação com clientes.

Maioria defende regulamentação e ferramentas nacionais

De acordo com a AASP, 74,2% dos respondentes defendem que o uso da IA na Advocacia seja regulamentado, enquanto a pesquisa também aponta que três em cada quatro advogados apoiam a criação de regras específicas para disciplinar o uso da tecnologia na profissão.

O levantamento mostra ainda que 90,3% dos participantes acreditam que uma solução de IA desenvolvida especificamente para a Advocacia brasileira seria mais segura e eficiente do que plataformas de uso geral, treinadas sem foco na legislação, jurisprudência e linguagem técnica do Direito nacional.

Apesar da adoção elevada da tecnologia, a AASP destaca que 85,3% dos respondentes reconhecem a necessidade de capacitação específica para utilizar essas ferramentas de forma adequada na prática jurídica.

Perfil dos respondentes

Segundo a AASP, a amostra reúne majoritariamente profissionais experientes, com 81,3% acima de 45 anos. Em relação ao gênero, 49,9% se identificam como homens cisgênero e 43,7% como mulheres cisgênero. A pesquisa também mostra diversidade de especialidades jurídicas, com predominância do Direito Civil, com 31,4%, seguido por profissionais que atuam em múltiplas áreas, com 14%, Direito do Trabalho, com 13,8%, Direito de Família e Sucessões, com 11,6%, e Direito Empresarial, com 9,7%.

Para 95,6% dos participantes, a IA provocará mudanças relevantes na Advocacia nos próximos dez anos, sendo que 77,5% acreditam que essas mudanças serão profundas, de acordo com o levantamento.

A pesquisa demonstra que a Advocacia entrou em uma nova etapa de maturidade em relação à Inteligência Artificial. A tecnologia deixou de ser uma tendência para se tornar parte da rotina profissional”, afirma Paula Lima Hyppolito Oliveira, presidente da AASP.

Fonte: Assessoria Jurídica

Publicado em 29/07/2026
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